LUTE COMO UMA GAROTA!
RESUMO.
Este artigo busca destacar a força da mulher no tocante à autodefesa e resiliência. Entendida como ?sexo frágil?, a mulher é subestimada de diversas formas, no entanto, há um grave engano em relação à suposta superioridade masculina, mesmo quando o assunto é capacidade de se defender.
Tanto a anatomia quanto a História vão destacar a superioridade da mulher em diversos aspectos. Por isso, em um mês em que a saúde da mulher é valorizada, a conclusão a que se chega é que a mulher pode destacar-se em quaisquer campos, da ciência às artes marciais. Por serem distintos como seres, homens e mulheres se completam, e a evolução individual também faz evoluir a espécie como um todo. Mulheres podem ser ?caveiras? e ensinar muito, tanto a outras mulheres quanto a todos nós, homens, lições de perseverança, resiliência, força e inteligência.
Palavras-chave:
O mês de outubro é identificado como ?rosa? por fazer parte de uma campanha internacional de conscientização contra o câncer de mama. O período de 1 a 31 de outubro é dedicado à esta conscientização desde a década de 90, idealizado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, em um evento denominado ?Corrida pela Cura?. No Brasil, o movimento se expandiu a partir de 2002[1].
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer-INCA, a data é celebrada ?com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade?[2].
Observa-se, no entanto, que o ?Outubro Rosa? passou a ser mais que um período de preocupação com o câncer de mama, mas também de um período de valorização do sexo feminino. Gradativamente, assim como o mês de março, em que no seu oitavo dia se comemora o Dia Internacional da Mulher, o mês de outubro passou a ser um período em que se ressalta os cuidados com a mulher, notadamente na área da saúde.
Por isso, nada mais natural que em um artigo escrito no mês de outubro, seja exaltada a figura feminina. Nessa oportunidade, uma investigação acerca da força da mulher e seu instinto de autopreservação, assim como a capacidade de lutar para sobreviver em um mundo que a subestima já há muito tempo, exigindo do sexo feminino uma dose extra de perseverança, garra e resiliência.
A história nega o adágio que classifica a mulher como ?sexo frágil?, e este artigo pretende colaborar com a percepção de que esta classificação está totalmente equivocada, não só pelas provas históricas, mas também pelo que a própria ciência e anatomia humana evidenciam. A mulher é capaz de se defender, de fazer escolhas corretas e de ser feroz quando é necessário.
Homens e mulheres são iguais, em direitos e obrigações. Pelo menos é o teor do primeiro inciso do artigo 5 º da Constituição Federal. No entanto, essa é uma questão política e Cultural. Homens e mulheres são seres bem distintos fora dessa seara. Segundo o casal de pesquisadores Allan e Barbara Pease, homens e mulheres só têm em comum ?o fato de pertencerem à mesma espécie. Vivem em mundos distintos, com valores diversos e sob regras muito diferentes?.[3]
Estudos demonstram que o cérebro feminino tem mais atividade elétrica durante estado de repouso que o dos homens, isso significa que ela analisa muito melhor o ambiente que ele. O homem tem visão tubular, a mulher, tem um campo visual periférico muito maior, assim, mulher visualiza o risco chegando muito mais rapidamente que o homem.
Além disso, mulheres distinguem tons de cor em maior quantidade que os homens, pois seu olho é anatomicamente preparado para isso, além de enxergarem melhor no escuro (exceto na hora de dirigir á noite, que exige mais da visão de tipo tubular do homem).
O olfato feminino também é superior. A pele é mais fina, portanto, mais sensível. Contudo, a mulher é menos sensível à dor, sendo mais resistente, e mesmo tendo cerca de 4 bilhões de neurônios a menos que o homem, consegue pontuação cerca de 3% mais alta nos testes de inteligência. O cérebro do homem é compartimentado (faz uma coisa de cada vez), a mulher é multitarefa.
?O cérebro feminino é programado para ouvir um choro de criança no meio da noite?, dizem os pesquisadores. Por isso, a mulher tem uma capacidade auditiva maior, sabendo isolar os sons, por isso consegue ouvir uma conversa com a TV ligada e enquanto bate uma vitamina no liquidificador. O homem, bom...você já sabe. Assim, apesar de ser óbvia a resposta, fica a pergunta: Quem é o sexo frágil, afinal?
A lista de mulheres importantes na história é enorme. Contudo, podemos ressaltar mulheres que lutaram, literalmente, tanto para se protegerem quanto por uma causa. Joana D?arc (1412-1431) inicia a lista como a famosa menina de 13 anos que, analfabeta, religiosa, vê-se comissionada pelos céus a salvar a França durante a guerra dos cem anos (1335 ? 1453), com a coragem de pedir ao Rei Carlos a integração ao exército e um regimento de soldados.
O Rei decide aceitar, e em 1429 Joana já tem sua primeira vitória. Porém, aos 19 anos de idade foi presa e condenada com bruxa pela inquisição. Em 1456, foi reconhecida como Mártir pela mesa igreja que a queimou viva, e no século XX foi canonizada.[4]
Manuela León (1840 ? 1872), no Equador, é uma guerreira indígena que se revolta contra a opressão ao seu povo Puruhá e em 1871 comanda a tomada de um vilarejo, cravando uma lança no peito de um tenente e arrancando seus olhos além de queimar todas as casas. O governo suprimiu a rebelião com força, e Manuela foi executada em praça pública aos olhos de 200 membros de sua comunidade. Os carrascos tentaram encobrir seu nome, mas a força dessa guerreira ficou viva na tradição oral de seu povo.
Maria Quitéria (1792-1853) foi a primeira mulher militar do Brasil. É uma Joana D??arc brasileira. Com uma farda do cunhado e encurtando o cabelo, se uniu à infantaria no combate contra os portugueses em Feira de Santana/BA liderando inclusive campanhas para capturar reféns. Foi condecorada como heroína da independência por D. Pedro I em 1966 foi declarada patrona do Quadro complementar de Oficiais do exército brasileiro.
Anita Garibaldi (1821-1849) foi conhecida como ?Heroína de dois mundos? junto com o italiano Giuseppe Garibaldi, formando o famoso casal farroupilha. Revolucionária como o marido, lutaram por causa que consideravam justas, no Brasil e na Itália, participando a reunificação do país em 1848. Morreu aos 27 anos, grávida do quinto filho, no entanto, livre.
Na lista, vou adicionar uma ?guerreira? que não precisou lutar efetivamente, mas que é um exemplo de mulher de fibra. Marie Curie[5], polonesa do século XIX que ganhou dois Nobel (Física e Química) e que descobriu elementos da tabela periódica como o rádio e o polônio. A ciência deve muito à Marie Curie e ela entregou literalmente a sua vida pelo desenvolvimento do conhecimento científico em uma época em que ser cientista já era algo difícil a homens.
Essas mulheres e muitas outras demonstram que a mulher tem força, capacidade e inteligência para realizar tudo o que quiserem fazer. Sendo vítimas de constante violência, mulheres tem visto que elas não devem (e não querem) depender de homens para sua proteção ou a de seus filhos. Cada vez mais mulheres procuram por aulas de defesa pessoal, artes marciais e se destacam no UFC, além de se tornarem atiradoras civis (CACs) e demonstrarem interesse em carreiras policiais.
Preservar a saúde mental e física, ser capaz de usar suas potencialidades já descritas neste artigo dentro de uma realidade de violência urbana é essencial para que a mulher saia da condição de vítima e possa determinar sua reação e seu posicionamento diante das ameaças cotiianas.
Geni Duró Leitão de Almeida, Educadora física de Ribeirão Preto, aos 55 anos, em 2020, participou de seu terceiro Ironman, que reúne 3 grandes desafios: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida, ou seja, uma Maratona.[6]
Esta senhora de mais de meio século de idade é um exemplo de mulheres que se cuidam e se superam, colocando-se à prova e vencendo desafios que o preconceito dizia ser área de homens. Além disso, Geni mostra que idade não é limitação para quem cuida da saúde física e mental. Cada mulher pode superar seus desafios e vencer naquilo que se propõe a fazer.
Para isso, conscientizar-se acerca da necessidade de exercícios, alimentação, desenvolvimento mental e clareza de propósitos é algo essencial à saúde, principalmente das mulheres, que enfrentam, por diversas vezes, uma carga horária de trabalho maior que a dos homens e múltiplas atividades depois do período de trabalho.
O mês de outubro é um mês de preocupação com o estado de saúde das mulheres, principalmente no tocante ao exame da mama, necessário para diagnóstico precoce do câncer de mama, que mata mais de 620 mil mulheres por ano no mundo. A Pfizer explica que há vários fatores de risco, principalmente para quem tem mais de 50 anos de idade, dentre eles: sedentarismo, Obesidade e sobrepeso, Álcool, exposição constante aos raios X, além de fatores hormonais e genéticos.
É preciso ter cuidado e se prevenir. Todos conhecem que a prevenção é palavra-chave, tanto no mundo da saúde quanto no mundo da defesa pessoal e segurança pública. É preciso que cada mulher perceba a necessidade de exercícios, alimentação saudável e visitas periódicas ao médico Cuidar da saúde também é defender a si mesma. Faz parte de obedecer ao princípio fundamental do ?mente sã e corpo são?.
A mulher é um ser fantástico. Suas múltiplas capacidades e a forma como lida com tantas atividades ao mesmo tempo deve ser digna de homenagens. O mundo instável e cheio de perigos fez com que as mulheres fossem submetidas a diversos tipos de violências no decorrer da história, contudo, mulheres corajosas e capazes de interferir no que parecia um destino de segregação não faltaram.
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Anatomicamente, as mulheres possuem diversas vantagens sobre os homens e mesmo possuindo menor massa muscular, são capazes de aprender a se defender e usar toda sua capacidade e inteligência para se livrar de qualquer ameaça. Para tanto, tem que preocupar-se com sua saúde e manter-se mentalmente e fisicamente pronta para continuar deixando os homens de ?queixo caído?. Á vezes, literalmente.
Shalom!
REFERÊNCIAS
AIDAR, Laura. 26 mulheres importantes que fizeram história. 10.Ago.2021. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/mulheres_importantes_historia/> Acesso em 04.Out.2021.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Gráfico, 1988.
INCA ? INSTITUTO NACIONAL DE CÃNCER. Outubro Rosa. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/assuntos/outubro-rosa> Acesso em 04.Out. 2021.
LISBOA, Silvia. 70 Mulheres que mudaram o mundo ? Poder. 10.Out.2019. Disponível em: <https://super.abril.com.br/especiais/70-mulheres-que-mudaram-o-mundo-poder/> Acesso em 05.Out.2021.
PEASE, Allan; PEASE, Bárbara. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? Rio de Janeiro: Sextante, 2010.
PFIZER. O câncer de mama em números no brasil e no mundo. 20.Jan.2020. Disponível em: <https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/cancer-de-mama-em-numeros> Acesso em 05. Out.2021.
ROCHE. Você sabe o que é o Outubro Rosa? Disponível em: , https://www.roche.com.br/pt/por-dentro-da-roche/voce-sabe-o-que-e-outubro-rosa.html> Acesso em 04.Out.2021.
[1] ROCHE, 2021.
[2] INCA/MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2021.
[3] PEASE, Allan; PEASE, Bárbara, 2010, p.9.
[4] LISBOA, 2019.
[5] AIDAR, 2021.
[6] BERZOTTI, 2020.