Wesley Gimenez
Este artigo discute as implicações diversas de uma possível guerra mundial. Para mais do que simplesmente o contexto bélico, as guerras causam efeitos morais, econômicos e políticos em todos os países afetados.
No caso de uma guerra mundial, esses efeitos são sentidos em todo o globo terrestre. A partir dessa premissa, e das recentes tensões envolvendo Rússia e Estados Unidos, rememorando períodos de Guerra fria e ampliando tensões de guerra em pleno século XXI, é preciso perguntar:
E se uma guerra estourar? Como cada cidadão se preparará mentalmente, bem como perceberá seu papel no desenrolar dos fatos? Essa mentalidade de proteção, de guerra, de combate, essa mentalidade ?caveira?, antecipa os acontecimentos e é capaz de cogitar os melhores e piores cenários, sobrevivendo em cada um deles.
Palavras-chave: Guerra. Conflito. Tensão. Violência. Política. Economia.
Em 2018 uma capa da revista ?The Economist? esboçava o seguinte título: ?The Next War?, ou seja, ?A próxima guerra?, em tradução livre[1]. A preocupação da revista tem mais sentido neste ano de 2022 com as recentes movimentações Russas nas regiões da Criméia e Ucrânia.
Em 2018, a revista intensificou a preocupação com o avanço de Kim Jong Um, ditador Coreano, porém já antecipava as movimentações geopolíticas da China e Rússia, o que destacada o início de um levante político e bélico por poder e domínio territorial e político em escala global.
Em recente discurso, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky participando de uma Conferência de Segurança realizada em 19 de fevereiro deste ano, na Alemanha, mediada pela âncora da CNN Christiane Amanpour disse algo que chama a atenção e que motiva este artigo: ?Nós estamos olhando para a paz, mas devemos nos preparar também para terminar com a guerra em todos os possíveis formatos?[2].
Essa declaração demonstra uma clara preocupação com a possibilidade de guerra, ao mesmo tempo em que conclama o mundo a pensar nas relações entre nações imperialistas, buscando domínio e entrando em jogos de poder que podem gerar conflitos de ordem global e atingir pessoas inocentes em muitos países, inclusive no Brasil.
Em cenários de Guerra iminente, o que muda na nossa rotina? O que um conflito global no outro lado do planeta pode interferir na minha vida, por exemplo, no interior do Estado de São Paulo? A resposta é: tudo!
Um velho conto dizia que o rato se deparou com uma ratoeira na fazenda. Alarmado, o pobre rato alertou a galinha, o porco e a Vaca sobre o ?perigo?, mas, recebeu de todos um grande olhar de deboche e sátiras mordazes. Durante a noite a mulher do fazendeiro se levanta com o barulho do desarme da ratoeira.
No escuro, ela vai verificar e é picada pela cobra, vítima da ratoeira.
Quando a febre oriunda da picada começa, o fazendeiro resolve preparar uma canja (e lá se vai a galinha). Amigos chegam para visitar a enferma (e lá se vai o porco no almoço) e por fim, a mulher morre e é preciso alimentar todo o cortejo do velório (e lá se vai a Vaca para o abate).
Moral da história: O problema de um é problema de todos. E o que isso tem a ver com o assunto tratado aqui? Tudo.
Assim como no caso do rato e da ratoeira, uma situação de guerra envolvendo potências dominantes, sedentas por território e poder pode ter resultados indesejados, afetando todos os países do mundo.
Quer seja pela instabilidade econômica e as oscilações da bolsa, quer seja pelos travamentos das áreas de comércio, abastecimento (importação e exportação), quer seja pelos efeitos morais decorrentes, com assunção de ânimos e maior índice de violência pelo mundo.
Dessa forma, uma Guerra Mundial teria amplos reflexos no Brasil[3]. Em último caso, uma eventual participação do país, apoiando um dos lados geraria sanções, discordâncias, travamento de acordos comerciais, insegurança cambial, exaltação de ânimos, mobilização de tropas, bem como aumento de tensões e efeitos de animosidade em toda a população, mesmo que essa não esteja participando diretamente de qualquer embate bélico.
Na recente elevação da crise na Ucrânia, em que Moscou reconhece a independência dos territórios separatistas ucranianos de Donetsk e Luhansk, reflexos diretos como o aumento do preço do barril de Petróleo para perto dos US$ 100 (R$ 509), pode impactar diretamente o preço da gasolina, etanol e gás no Brasil.
Isso significa mais tensão na economia, e estudos publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ? IPEA demonstrou que o aumento do desemprego, decorrente da inflação, por exemplo, tem relação direta com o aumento do número de homicídios. 1% de aumento no desemprego gera cerca de 1,8% de aumento na taxa de assassinatos[4]. Essa correlação traz uma pequena amostra dos impactos negativos de uma guerra e seus efeitos diretos e indiretos.
Ao imaginar que disputas por poder em nível global podem impactar disputas de poder em níveis regionais, chegando a, por exemplo, influenciar os rumos políticos do Brasil, os reflexos das tensões pelo mundo podem ser ainda maiores, com ânimos mais exaltados, maior índice de violência em todos os níveis e tipos e uma maior necessidade de preparar-se mentalmente para uma escalada de ânimos furiosos em escalas menores, como grandes cidades e periferias brasileiras.
Ao deixar as hipóteses chegarem a um nível ainda mais absurdo, como a de uma invasão ao País, ou a entrada do Brasil em uma disputa global, apoiando um ou outro lado, como feito no período da Segunda Guerra Mundial, teremos um quadro ainda mais preocupante.
Na época, o Brasil, que inicialmente negociava com Estados Unidos e Alemanha, declarou Guerra ao país de Hitler após Getúlio Vargas romper relações com o país alemão tendo em vista os 5 navios brasileiros afundados em agosto de 1942 por submarinos alemães[5]. Esta atitude acelerou a derrocada de Getúlio do poder e trouxe ganhos e perdas para o povo brasileiro. Zé Carioca, personagem de Walt Disney, criado nessa época foi um presente de ?política de boa vizinhança? oferecida por Nelson Rockfeller a fim de que a influência cultural americana se instalasse nas terras brasileiras.
Isso é só uma amostra do quanto o estado de guerra influenciam a economia, a cultura, o desenvolvimento, o emprego e a violência urbana em um país. Em um contexto em que se ensina defesa pessoal e mentalidade de combate (mentalidade caveira), é preciso pensar em como enfrentar situações de escalada geral da violência, da crise e da exaltação dos ânimos.
Além disso, para homens principalmente, o conflito geopolítico com lados definidos podem ocasionar uma convocação para o serviço militar obrigatório. Com o nível de sedentarismo e preparo marcial do Brasileiro, imaginar nossos ?Pracinhas? do século XXI carregando fuzis, lutando em frontes de guerra e protegendo o território de incursões inimigas é uma imagem mental complicada.
Em tempos de ?guerra nuclear?, pode-se imaginar que conflitos armados não existiriam, porém, não é bem assim que acontece. Além dos conflitos de ?oportunidade? em que países vizinhos aproveitam-se para invasões, há um grande aumento de tensões no combate a violência generalizada. Enfim, mesmo na situação hipotética de guerra, o cenário exige uma mentalidade pronta para a defesa própria e da família.
Como sempre dizemos: ?Espere pelo melhor, preparando-se para o pior?. Esteja pronto para todas as situações possíveis e sempre busque uma mente e um corpo resiliente, capaz de tudo para superar qualquer situação, mesmo que seja uma terceira guerra mundial.
Este artigo destacou as implicações de uma guerra para o Brasil e para todo o mundo. A partir de hipóteses e do estudo dos efeitos e reflexos dos conflitos geopolíticos pode-se estabelecer cenários e projetar reações.
?Tanto a percepção de uma necessidade de proteção, de preparativos econômicos, de ajustamento de rotinas, quanto na atenção à informação e às notícias de forma geral, a mentalidade ?caveira? buscará recursos e estabelecerá cenários possíveis , agindo e reagindo apropriadamente buscando o bem maior : a sobrevivência.
Shalom!
BRAUN, Julia. Dólar, inflação e petróleo: os impactos do conflito na Ucrânia para o Brasil. BBC NEWS BRASIL. 22. Fev.2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60487877. Acesso em 23 de fevereiro de 2022.
IPEA ? INSTITUTO DE PESQUISAS ECONÔMICAS APLICADAS. Aumento de 1% no desemprego dos homens eleva a taxa de homicídios em 1,8%. 18.Out.2019. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=35110. Acesso em 23 de fevereiro de 2022.
RIZERIO, Lara. Economist alerta: a ameaça de uma guerra devastadora está cada vez maior ? e o mundo não está preparado. Infomoney. 25. Jan.2018. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/mercados/economist-alerta-a-ameaca-de-uma-guerra-devastadora-esta-cada-vez-maior-e-o-mundo-nao-esta-preparado/. Acesso em 23 de fevereiro de 2022.
SILVA, Daniel Neves. "Brasil na Segunda Guerra Mundial"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/brasil-segunda-guerra.htm. Acesso em 23 de fevereiro de 2022.
SOUZA, Renata. Não podemos pagar preço de outra guerra mundial, diz presidente da Ucrânia. 19. Fev. 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nao-podemos-pagar-preco-de-outra-guerra-mundial-diz-presidente-da-ucrania/. Acesso em 2
[1] RIZÉRIO, 2018.
[2] SOUZA, 2022
[3] BRAUN, 2022
[4] IPEA, 2019
[5] NEVES, 2022.